A VOZ DO SILÊNCIO

PRIMEIRO FRAGMENTO

A VOZ DO SILÊNCIO

Helena Petrovna Blavatsky

(Tradução: Fernando Pessoa)

Estas instruções são para aqueles que não conhecem os perigos dos Iddhi (1) inferiores. Aquele que quiser ouvir a voz de Nada(2), o Som sem som, e compreendê-la, terá de aprender a natureza do Dharana (3) . Tendo-se tornado indiferente aos objetos da percepção, deve o aluno procurar o Raja dos sentidos, o produtor de pensamentos, aquele que acorda a ilusão.

A Mente é a grande assassina do Real.

Que o discípulo mate o assassino.

Porque quando para si mesmo a sua própria forma parece irreal, como o parecem, ao acordar, todas as formas que ele vê em sonhos; quando deixar de ouvir os muitos, poderá divisar o Um – o som interior que mata o exterior. Então,e só então, abandonará ele a região de Asat, o falso, para chegar ao reino de Sat, o verdadeiro. Antes que a Alma possa ver,deve ser conseguida a harmonia interior, e os olhos da carne tornados cegos a toda a ilusão. Antes que a Alma possa ouvir, a imagem (o homem) tem de se tornar surda aos rugidos como aos segredos, aos gritos dos elefantes em fúria como ao sussurro prateado do pirilampo de ouro. Antes que a Alma possa compreender e recordar, ela deve primeiro unir-se ao Falador Silencioso, como a forma que é dada ao barro se uniu primeiro ao espírito do escultor. Porque então a Alma ouvirá e poderá recordar-se. E então ao ouvido interior falará.

1 . A palavra páli Iddhi equivale ao Siddhis sânscrito, as faculdades “psíquicas” os poderes anormais do homem. Há duas espécies de Siddhis – um grupo que compreende as energias inferiores, grosseiras, “psíquicas” e mentais, ao passo que o outro exige o mais alto cultivo das capacidades espirituais. Diz Krishna no Shrimad Bhagavat: “Aquele que está ocupado na execução da Ioga, que venceu os seus sentidos e concentrou o seu espírito em mim (Krishna) – a tais iogues como esse estão todos os Siddhis prontos a servir.”

2.A voz sem som, ou a “voz do silêncio”. Literalmente, isto devia talvez traduzir-se “voz no som espiritual”, visto que Nada é o equivalente sânscrito do termo Senzar.

3.Dharana é a concentração intensa e perfeita do espírito sobre qualquer objeto interior, acompanhada da abstração completa de tudo quanto pertença ao universo exterior, ou mundo dos sentidos.

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