A voz do silêncio e a luz que não se apaga.

A VOZ DO SILÊNCIO E A LUZ QUE NÃO SE APAGASe a tua Alma sorri ao banhar-se ao sol da tua vida; se a tua Alma canta dentro da sua crisálida de carne e de matéria; se a tua Alma chora dentro do seu castelo de ilusão; se a tua Alma se esforça por quebrar o fio de prata que a liga ao Mestre (1); sabe, ó discípulo, que a tua Alma é da terra.

Quando ao tumulto do mundo a tua Alma (2) que desabrocha dá ouvidos; quando à voz clamorosa da grande ilusão (3) a tua Alma responde; quando se assusta ao ver as lágrimas quentes da dor, quando a ensurdecem os gemidos da angústia, quando a Alma se retira, como a tartaruga tímida, para dentro da concha da personalidade, sabe, ó discípulo, que do seu Deus silencioso a tua Alma é um sacrário indigno.

Quando, já mais forte, a tua Alma vai saindo do seu retiro seguro; quando, deixando o sacrário protetor, estende o seu fio de prata e avança; quando, ao contemplar a sua imagem nas ondas do espaço, ela murmura, “Isto sou eu” – declara, ó discípulo, que a tua Alma está presa nas teias da ilusão (4).

Esta terra, discípulo, é a sala da tristeza, onde existem, pelo caminho das duras provações, armadilhas para prender o teu Eu na ilusão chamada “a grande heresia” (5).

Esta terra, ó discípulo ignaro, não é senão a triste entrada para aquele crepúsculo que precede o vale da verdadeira luz – essa luz que nenhum vento pode apagar, e que arde sem óleo nem pavio.

Diz a grande Lei: “Para te tornares o conhecedor da Personalidade Total (6), tens primeiro de conhecer a Personalidade”. Para chegares ao conhecimento dessa Personalidade, tens de abandonar a personalidade à não-personalidade, o ser ao não-ser, e poderás então repousar entre as asas da Grande Ave. Sim, suave é o descanso entre as asas daquilo que não nasce, nem morre, mas é o AUM (7) através de eras eternas (8).

1 . O “grande Mestre” é o termo que os chelas empregam para designar a Personalidade Superior. Equivale ao Avalokiteshvara, e é o mesmo que o Adi-Buda dos ocultistas do budismo, que o Atmandos Brâmanes, e que o Christos dos antigos Gnósticos.

2. “Alma” é aqui empregado para designar o Eu ou Manas humano, a que na nossa oculta divisão setenária se chama a Alma humana, para distingui-la das Almas espirituais e animais.

3 . Maha-Maya, a grande ilusão, o universo objetivo. Voltar .

4. Sakkayaditthi, a ilusão da personalidade.

5. Attavada, a heresia da crença na Alma, ou antes, na separação da Alma ou Personalidade do Ser universal, uno e infinito.

6. O Tattvajnani é o conhecedor ou discriminador dos princípios na natureza e no homem; e Atmajnani é o conhecedor de Atman ou da Personalidade Única universal.

7 . Kala Hamsa, a ave ou cisne. Diz o Nadavindupanishat (Rig Veda) traduzido pela Sociedade Teosófica de Kumbakonam – “Considera-se a sílaba A como a asa direita da ave Amsa, U a asa esquerda, M a cauda, e o Ardhamatra (meiometro) diz-se ser a sua cabeça”.

8. A eternidade tem para os orientais um sentido diverso do que tem para nós. Representa em geral os 96 anos ou idade de Brama, a duração de um Mahakalpa, ou seja, um período de 311.040.000.000.000 anos. Voltar .

Helena Petrovna Blavatsky  (Traduzido por Fernando Pessoa)

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