Até breve

Existem muitos conselhos para lidar com a perda de um ente querido, mas o fato é que não existem fórmulas prontas para desfazer-se das sombras em forma de saudade que turvam a visão.

“O que fazer?” Perguntamo-nos quando precisamos arrostar tal situação.

Precisamos?

Disse “precisamos”. Então significa que tem necessidade?

Qual a necessidade de passarmos por um momento tão difícil que mais parece um castigo? Pois é certo: por maior que seja a fé dos que ficam, os momentos vividos com quem se ama não podem ser simplesmente apagados como se tivéssemos total controle sobre o pensamento!

Temos um pensamento contínuo, não conseguimos apagar da memória fatos que contribuem para aumentar a importância de alguém em nossa vida.

Interessante a questão sobre o pensamento contínuo… Será que o pensamento cessa quando morremos? Difícil acreditar que sim.

Não faz o menor sentido nascermos, vivermos, cultivarmos sentimentos em uma vida inteira para, de repente, vir a morte rompendo lembranças, vínculos etc., e não sermos nada além de poeira cósmica.

Estabelecido, então, que o pensamento continua, continua também o pensamento sobre o ente que partiu.

Essa é uma coisa preocupante, pois incorre nas seguintes questões: Qual o sentimento de uma pessoa amada ao notar nossa infelicidade ocasionada pelo vazio que somos acometidos com a subtração do convívio com ela? Já que a morte carnal não constitui desconexão mental, seria cabível admitir que as alegrias e tristezas compartilhadas numa relação pudessem atravessar fronteiras do além-túmulo?

Quando estamos passando por um momento difícil, fica igualmente difícil imaginar que podemos até causar a infelicidade de alguém que se foi…

Sendo assim, já que não existe um consolo imediato quando perdemos um ser amado, e conhecendo que o luto é preciso ser vivido para superá-lo, talvez a melhor alternativa seja “trabalhar” a saudade.

Mas como fazer para trabalhar a saudade?

Será preciso distinguir os dois tipos de saudade:

A saudade sadia: aquela em que lembramos os momentos que serviram para constituir amor entre nós e o ser amado, chorando, rindo, vivenciando tais momentos como se fossem atuais, mas conscientes de que a vida não continua somente para quem fica, controlando a tristeza que cede lugar à esperança de nos encontrarmos novamente, formando em nosso campo mental a imagem da pessoa nos abraçando na hora do tão esperado reencontro, como se a vida passasse num segundo. Daí a pessoa olha para você e exclama: “Parabéns por progredir, ser melhor para a vida e podermos estar juntos!”

A saudade doente: aquela que deprime e nos faz pensar que a vida não tem mais sentido sem a pessoa que amamos ao lado, nos faz parar de viver e, sem saber, ferir quem está do “outro lado”. Daí, quando for a hora do reencontro, pode acontecer de não conseguirmos reencontrar a pessoa amada, porque as nuvens de negatividade que formamos não nos deixarão ver além da tristeza criada pela incompreensão da naturalidade da vida.

No foco das reflexões, podemos concluir que a necessidade da morte está em aprender a respeitar os desígnios de Deus, criando em nós a coragem diante das adversidades, ao conquistarmos disciplina dos sentimentos e abraçarmos o objeto de nosso amor dizendo que o amamos independentemente de onde quer que esteja.

Se a vida é feita de escolhas, que consigamos nos esforçar para abrigarmos os entes amados no coração, em vez de aprisioná-los na imperiosidade da mente rebelde.

A você que se foi, viverei ansiando o momento para abraçá-lo, porque quero estar melhor para você quando esse dia chegar.


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