A suave presença do Eu

A visão verdadeira — da natureza da natureza real do homem — não é uma mistura de teorias, mas sim uma tremenda experiência. Ninguém que a tenha vivido uma vez, ainda que momentaneamente, jamais a poderá esquecer e não terá sossego enquanto não encontrar o meio de repeti-la.

Aqueles que julgam uma tolice cuidar da atitude espiritual antes de atender as atividades do mundo, colocam em primeiro lugar as coisas que devem estar em segundo. Para esses, como diz a escritura hindu: “Não há paz nem neste mundo, nem no próximo”.

O desenvolvimento espiritual não tem que ser essa coisa fortuita tão frequente em nós, mas um esforço sério e firme… Todo processo depende da prática.

Quem aspira a tentar conhecer seu Super-eu deve aprender a recolher-se em sua mente como a tartaruga se recolhe em sua concha. A atenção que até agora tem estado dispersa numa sucessão de objetos externos, deve agora estar concentrada num simples foco interno…

No centro de nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém, para atingi-lo, temos de abrir um canal através de todas as touceiras de pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar incessante atenção ao mundo material, tornando-o como única realidade.

Dominar a mente é dominar a si próprio. A alma que controla a maré crescente e sempre ativa dos pensamentos, pode vestir a farda de capitão e dar ordem a toda a Natureza.

Evocar o homem verdadeiro dentro de nós é evocar nossa inteligência espiritual. Quando podemos entender o que há por trás dos olhos que nos miram no espelho a cada manhã, entendemos então o mistério da vida.

Se nos detivermos a refletir com inflexível fixidez sobre o mistério que está em nós, o mistério divino no homem, ele finalmente nos confiará e revelará o seu segredo. Quando o homem começa a se perguntar o que ele é, já deu o primeiro passo num caminho que não terminará enquanto não obtiver resposta.

Enquanto esta integridade espiritual não for restaurada, o homem será sempre a vítima infeliz dos seus desejos e pensamentos contraditórios.

Embora o homem seja uno com o Poder Superior a que chamamos Deus, é certo que ele perdeu a consciência dessa unidade. E, enquanto não se esforçar para fazer meditações regulares, análises frequentes de si mesmo, orações sinceras para se desprender cada vez mais de sua vida externa, é pouco provável que recorde essa consciência divina.

Devemos transpassar com a broca da mente a crosta da atração do mundo físico e procurar descobrir a eterna realidade que a crosta oculta. Então, o segredo da vida, que tem desafiado os talentos brilhantes de homens ilustres, será descoberto e se tornará nossa jubilosa posse.

Temos estado tão absorvidos em nossos pensamentos egoístas, em nossos sentimentos pessoais e atividades físicas, que jamais procuramos fixar a consciência neste “algo” interno. Não temos tentado um instante sequer desprender-nos de nossos pensamentos, emoções ou ações. É por isso que nem mesmo de leve tocamos a questão de saber o que se passa no interior de nossa prisão de carne.

A prática da meditação, entretanto, nos possibilita os vestígios dessa “alguma coisa em nós” e descobrir o que somos na realidade. Nosso verdadeiro ser está sempre ali, mas a pressão de nossos pensamentos e a atenção contínua que prestamos às coisas exteriores através dos sentidos abafam a suave presença do Eu.

Paul Brunton

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