Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão sobre nós mesmos

A sombra, segundo Jung, nos diz para ignorar as próprias fraquezas e projetá-las nos outros.

Para evitar a sensação de que não somos bons o bastante, enxergamos os que estão ao nosso redor como se fossem suficientemente bons. Inúmeros exemplos vêm à mente.

Alguns são triviais, enquanto outros são uma questão de vida ou morte. A mais recente atriz de sucesso no cinema é criticada por perder peso demais, enquanto uma nação inteira se torna mais obesa.

Movimentos contra a guerra são denunciados como antipatriotas, enquanto todos estão pagando impostos para matar cidadãos de um país que nunca fez mal algum à América. Todos usam a projeção como uma defesa para evitar olhar para dentro de si mesmos.

Percebam que essa é uma defesa inconsciente. O molde da projeção é a seguinte afirmação:

“Não posso admitir o que sinto, então, imagino que você sinta”.

Consequentemente, se você não consegue sentir a própria raiva, rotula um grupo da sociedade como violento e temível.

Se você inconscientemente sente uma atração sexual que considera tabu, tal como atração por alguém do mesmo sexo ou pensamentos de infidelidade, você acha que os outros estão direcionando esse tipo de atração a você.

A projeção é muito efetiva. Um falso estado de auto aceitação é criado com base em “Eu estou bem, mas você não está”.

No entanto, a auto aceitação se estende a outras pessoas; quando você está bem consigo mesmo, não há motivo para determinar que o outro é que não está bem.

Você Está Projetando?

Aqui estão as formas típicas que a projeção pode assumir:

Superioridade. “Eu sei que sou melhor que você. Você deveria ver e reconhecer isso.”

Injustiça. “É uma injustiça que essas coisas ruins aconteçam comigo” ou “Eu não mereço isso.”

Arrogância. “Tenho orgulho demais para me incomodar com você. Até sua presença me irrita.”

Defensiva. “Você está me atacando, então, não estou ouvindo.”

Culpar os outros. “Eu não fiz nada. É tudo culpa sua.”

Idealizar os outros. “Meu pai era como um Deus quando eu era pequeno”, “Minha mãe era a melhor mãe do mundo” ou “O homem com quem eu me casar será o meu herói”.

Preconceito. “Ele é um deles, e você sabe como eles são” ou “Cuidado, esse tipo de gente é perigosa.”

Ciúme. “Você está pensando em me trair; posso ver isso.”

Paranoia. “Eles querem me pegar” ou “Eu vejo a conspiração que ninguém mais vê”.

Sempre que um desses comportamentos surgir, há um sentimento oculto na sombra que você não consegue encarar. Aqui estão alguns exemplos:

A superioridade; camufla o sentimento de fracasso ou o de que os outros o rejeitariam se soubessem quem você realmente é.

A injustiça; camufla o sentimento de pecaminosidade ou a sensação de que você é sempre culpado.

A arrogância; camufla a raiva acumulada e, abaixo dela, há uma dor profundamente arraigada.

A defensiva; camufla a sensação de que você é indigno e fraco. A menos que você se defenda dos outros, eles começarão a atacá-lo.

Culpar os outros; camufla a sensação de que você está agindo errado e deveria se envergonhar.

Idealizar os outros; camufla a sensação de que você é uma criança fraca e indefesa, que precisa de proteção e cuidados.

O preconceito; camufla o sentimento de que você é inferior e merece ser rejeitado.

O ciúme; camufla seu próprio impulso de desvio ou um senso de inadequação sexual.

A paranoia; camufla uma ansiedade entranhada e sufocante.

Como você pode ver, a projeção é muito mais sutil do que se imagina. No entanto, é uma porta aberta para a sombra. E uma porta dolorosa, já que aquilo que é visto como falha nos outros mascara seu sentimento em relação a você mesmo. O ideal seria que pudéssemos parar de culpar e julgar de uma vez por todas.

Na realidade, desfazer a sombra é sempre um processo. Para interromper a projeção, você precisa enxergar o que está fazendo, entrar em contato com o sentimento oculto sob a superfície e fazer as pazes com esse sentimento.

Deepak Chopra

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