Interação inconsciente

Interação inconscienteA maioria dos seres humanos ainda é incapaz de perceber como a distorção e o negativismo afetam e reforçam diretamente as distorções e o negativismo dos outros, formando um engate. Na interação entre duas psiques, ocorre o seguinte:

Suponham que alguém passe a seguinte mensagem não-verbal a quem esteja ligado numa interação negativa: “Vou castigar você por não preencher minhas exigências, que são insaciáveis. Não vou amá-lo e nem dar-lhe nada. Vou castigá-lo, fazendo-o sentir-se culpado, e se você quiser alguma coisa de mim, vou negar. Vou castigá-lo da forma mais exemplar, passando a ser vítima, para você não poder me culpar nem me pegar”.

Suponham que o outro esteja tentando interiormente adotar uma postura semelhante. A resistência dessa pessoa, por sua vez, pode ser expressa nesses termos: “Não posso desistir da atitude defensiva. Os outros estão dispostos a me ferir, a fazer de mim uma vítima e a me explorar. Se eu abrir meu coração ao amor, não conseguirei nada a não ser rejeição, injustiça e ódio. Não vale a pena. É melhor continuar fechado”.

Imaginem como atitude de autovitimização da primeira pessoa reforçará a resistência irracional da segunda a abrir-se, a se tornar vulnerável, a amar. A parte amedrontada da alma, que se “protege” pela negação e pelo retraimento, será consideravelmente reforçada sempre que deparar com as intenções negativas do outro.

O castigo muitas vezes assume a forma de graves acusações que difamam o caráter do outro. Ou é possível até usar os defeitos verdadeiros do outro para castigá-lo por não estar à altura das exigências feitas e por não aceitar entrar num acordo em que um deve dar tudo e o outro, pouco ou nada.

A interação inconsciente nessa área, portanto, fortalece e justifica a convicção de que a atitude negativa é uma defesa necessária. Desse ponto de vista tacanho, esta parece uma postura correta.

Assim, quando as intenções são negativas, você também é responsável pelo outro. Uma das verdades aparentemente paradoxais da realidade espiritual é que, embora você seja primordialmente responsável por si mesmo, também é responsável pelo outro, de maneira diferente.

Pelo mesmo critério, a intenção negativa do outro fere você, e ele também é responsável perante você. Entretanto, o outro não poderia ter êxito se você não fincasse pé tenazmente. Nesse sentido, você é responsável .

Todos têm a opção de usar as más intenções dos outros como desculpa para não amar, ou para procurar uma nova forma de reagir à vida.

Portanto, é igualmente correto dizer que você é exclusivamente responsável por si mesmo e que os outros são exclusivamente responsáveis por si mesmos e que, em última análise, todos são responsáveis pelos outros.

Eva Pierrakos – Judith Saly

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